EQUALIZAÇÃO DOS OUVIDOS NO MERGULHO

Se você aprecia a prática do mergulho, provavelmente já ouviu falar de barotrauma, mas, se é leigo no assunto, não deve ter entendido do que se tratava, apenas que o mergulhador teve uma “dor no ouvido”. Pois bem, faz-se imprescindível então, antes de tudo, defini-lo com exatidão, já que se trata de um termo científico.

 

De forma bem resumida, podemos dizer que esse termo designa uma espécie de traumatismo, ou logo um “trauma”, que surge, por sua vez, em decorrência da pressão (baro), daí a junção de “baro” mais “trauma”. Mas, sendo mais específicos, classifica-se como toda aquela lesão otológica que é provocada por trauma secundário a um desequilíbrio que tenha ocorrido entre a pressão ambiental e da cavidade do ouvido médio.

 

Desse modo, podemos citar, como causa da entidade clínica que denominamos barotrauma, as alterações tanto de pressão quanto de volume, quando associadas com alterações na pressão atmosférica, que acabam precipitando inflamações, seja de tipo aguda, seja de tipo crônica, tanto dos seios paranasais (barossinusite) quanto das cavidades da orelha média (barotite). Por fim, restaria ainda classificar esses traumas como “de subida” ou “de descida”, já que os sintomas podem incidir sobre as cavidades corpóreas, por conta de uma certa pressão positiva, consequência de ter aumentado a altitude, ou, se for o caso de ter diminuído a altitude, uma pressão negativa.

 

Como já sabemos que passamos por uma modificação de pressão durante o mergulho, seja subindo ou descendo, e que isso acabará causando um efeito em todas as cavidades corpóreas preenchidas pelo ar, ou seja, aquela sensação de aperto tanto na máscara quanto nos ouvidos, garganta e peito, cabe então darmos dicas de como realizar a equalização dos ouvidos no mergulho. Assim procedendo, você terá uma compensação de pressão, evitando sofrer com algum barotrauma, cuja a definição já tratamos acima.

 

Para que se consiga essa compensação de pressão, vejamos algumas dicas para a equalização dos nossos ouvidos:

 

Exercício antes do mergulho

Esta primeira técnica, uma das várias que se pode adotar para conseguir a equalização dos ouvidos, já pode ser

iniciada mesmo antes do mergulhador encostar na água, bastando que sejam pré-pressurizadas as trompas de Eustáquio, aqueles pequenos tubos que vão da garganta até a orelha interna.

Para conseguir fazê-lo, basta seguir esses passos: comece fechando a boca; depois, passe a beliscar o nariz enquanto

tenta soprar suavemente pelo nariz. Fazendo isso, a pressão em suas trompas de Eustáquio tenderá a aumentar, e de

forma rápida, facilitando então que possa igualar ambas as pressões, quando na descida. Todavia, em qualquer técnica desse tip

o, deve-se ter sempre suavidade, não exageros, visto que os excessos podem causar desconforto ou dano.

 

Começar antes e manter frequência

Se você vai equalizar os seus ouvidos durante a descida, por que esperar muito para dar início a isso? Comece antes que todo mundo, seja precavido. Afinal, pode acontecer de, sem que se perceba logo, a diferença de pressão entre o interior do ouvido e a pressão ambiente fique tão grande, mas tão grande, que passará a ser praticamente impossível obter-se a desobstrução necessária. Convenhamos, seria uma situação mesmo trágica, porém inteiramente evitável, caso seguida esta dica.

Concordando com isso, para pôr em prática tal precaução, simplesmente aja antes de surgirem os primeiros sinais, enquanto ainda nem houver desconforto. Não espere por eles, comece a equalizar os seus ouvidos antes disso, logo no início da descida. Quanta à frequência, isso dependerá de cada organismo. Para alguns indivíduos com maior necessidade desse procedimento, fará-se necessário repeti-lo a cada metro aprofundado. Em suma, cada um precisa conhecer a si mesmo, descobrir a sua frequência ideal, aquela que lhe satisfaz para não ter risco de barotraumas.

 

Ficar na vertical como macete

Não raro o mergulhador poderá ter alguma dificuldade em “limpar os seus ouvidos”, mas caso mantenha-se, por

mais tempo, em posição vertical, ele terá uma ajuda a mais para conseguir equalizar direito. Isso se dá, vale observar, porque quando o nivelamento não é feito em posição horizontal, tem-se então uma ligeira diferença de pressão entre o ar em seus pulmões e o ar em seus ouvidos,

diferença essa que acaba por ajudá-lo em seu intento.

Esta dica, devemos pontuar, é coadunada por estudos sérios, visto que esses apontam como se requer 50% a mais de força para equalizar-se os ouvidos, quando em posição de cabeça para baixo, em comparação com a posição inversa, ou seja, de cabeça para cima.

 

Não descer bruscamente, mas de forma lenta

Assim como é importante ser precavido, como já vimos, outra qualidade bastante útil é a prudência, para quem mergulha. Com “prudência”, queremos dizer, por exemplo, que você, mergulhador, não deve descer rapidamente, pois assim, quanto mais rápido, inevitavelmente, mais difícil será a compensação de pressã.

É óbvio que descer bruscamente, como se uma rocha caindo n’água fosse, levará a um sobrecarregamento dos seus ouvidos. Mas, num caso desse, a única opção que lhe resta, para a redução da pressão, é então, de imediato, equilibrar a flutuabilidade. Isso só se consegue, nessas circunstâncias, inflando-se o colete, suavemente. E se em situação de estar forçando essa igualação, deve-se diminuir a velocidade de descidas, já que, só desse modo, você chegará a um ponto em que possa equalizar aos poucos.

 

A importância de se beber água

Não, não iremos, neste texto, tratar sobre os benefícios de uma ingestão diária adequada desse líquido essencial à vida, mas de como a desidratação, ou seja, a falta de beber água na quantidade certa, pode complicar a vida do mergulhador. É nesse sentido que tal recomendação cabe como uma das dicas.

Acontece que, no caso de você estar desidratado, um muco pode surgir em suas passagens nasais, recurso inteligente do nosso organismo para torná-las mais espessas. Ocorrendo isso, consequentemente, aumenta muito a probabilidade de serem bloqueadas as passagens, assim inviabilizando o processo de equalizar os ouvidos que se quer. Desse modo, sempre garanta-se quanto à hidratação, antes de mergulhar.

 

Durante o processo, olhe para cima

Esta dica, apesar de breve em sua descrição, não deixará de ser menos valiosa para o mergulhador prudente. Trata-se de olhar para cima, simplesmente isso, durante o processo aqui tratado, em que se tenta a equivalência das pressões inicialmente diferentes. A justificativa para isso, devemos destacar, é que tal ato leva à abertura das trompas de Eustáquio, mais facilmente, ou seja, facilita que se possamos equalizar.

 

Além de olhar para cima, também engula a sua saliva

Se a dica anterior já devia soa, ao menos de início, um tanto estranha, esta daqui, certamente, mais ainda. Mas a dica é séria, não estamos brincando. Não são poucos os mergulhadores que afirmam terem maior desenvoltura durante o processo aqui tratado, quando engolem a saliva com força. Fazendo-se isso, a limpeza dos ouvidos seria facilitada. Uma técnica simples, no entanto, que não custa nada ser feita, seja sozinha, seja acompanhada com as várias outras por nós citadas.

 

Se preciso for, interrompa a descida, não hesite em fazê-lo

Sim, é isso mesmo: a última dica propõe uma espécie de desistência ao mergulhador. Contudo, não se trata aqui de estimular o medo exagerado, ou até a covardia, por assim dizer. O sentido que empregamos é de, se se fizer necessário, você, mergulhador, fazer pequenas pausas da descida, enquanto estiver rumo ao fundo do mar. Não é demais insistir, mais uma vez, na prudência, quando se trata da sua saúde, quem sabe até da sua vida.

Ocorrendo dificuldade em gerenciar a sua descida, quer seja o nível dessa dificuldade, pode ser uma boa você parar um pouco. E olhe que estamos falando de uma mergulho solitário, pois a coisa complica ainda mais, caso adicionemos a preocupação de vigiar um parceiro de mergulho, fora todas as técnicas que aqui tratamos, que

exigiram uma atenção dupla, de qualquer jeito. Fazendo-se pequenas paradas, no entanto, as coisas tendem a ficar

mais tranquilas, para se recuperar o controle total da situação, para que volte a certeza de sua segurança durante o mergulho. Em suma, dê algumas pernadas com sua nadadeira, pois, se posição

vertical encontrar-se, logo sua descida cessa; depois disso, equalize os ouvidos novamente; feito tudo isso, continue a descida, agora com sucesso.

 

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